Um sistema de controle de caixa d'água no prédio mostra no seu celular quanto tem na cisterna e na caixa superior, se a bomba está ligada e quanto o prédio gastou hoje. Neste guia você vai ver o que um sistema desses mede, quais avisos fazem diferença para o síndico e o que ele não faz, para decidir com clareza se vale para o seu condomínio.
Pense num sábado, 7h da manhã. O interfone toca: o morador do 402 está sem água no chuveiro. A cisterna está cheia, mas a bomba não ligou, e a caixa lá em cima esvaziou durante a noite. Você ficou sabendo pelo morador.
Os números deste guia vêm do sistema da IoTrust. Outros fornecedores podem funcionar de outro jeito, e o checklist no fim ajuda a comparar.
O que é um sistema de controle de caixa d'água no prédio
É um conjunto de sensores que acompanha a água do prédio o tempo todo e manda o que vê para um aplicativo. Nada do que já existe na casa de máquinas é substituído: o sistema mostra no celular o que antes só se via subindo até a caixa.
Cisterna, caixa superior e bomba: as três peças que precisam conversar
Na maioria dos prédios, a água da rua passa pelo hidrômetro e enche a cisterna, lá embaixo. A bomba empurra essa água até a caixa superior, no topo. De lá, ela desce para os apartamentos.
Quase todo problema acontece entre essas peças: a cisterna que não enche, a bomba que não liga ou não desliga, a caixa que transborda pelo ladrão. Muitas vezes o defeito só aparece quando você olha as três juntas.
Boia elétrica ou sistema monitorado: o que muda
A boia sabe duas coisas: cheio e vazio. É ela que liga e desliga a bomba, e faz isso bem. Mas ela não conta para ninguém o que está acontecendo.
O sensor de nível sem contato mede quanto tem de água, mostra se está subindo ou descendo e avisa quando algo sai do normal. Os dois trabalham juntos: a boia continua comandando a bomba, e o sistema vigia.
O que o sistema mede
Nível da caixa e da cisterna, e por quantos dias a água dura
O nível aparece em porcentagem, para a caixa superior e para a cisterna. Com o consumo do próprio prédio, o sistema calcula a autonomia: por quantos dias a água da cisterna dura naquele ritmo.
Estado da bomba e tempo ligada
Você vê se a bomba está ligada agora, quanto tempo ficou ligada hoje e quantas vezes ligou. Bomba que liga demais costuma ser o primeiro sinal de que algo mudou.
Entrada de água e consumo do dia
Um sensor de vazão na entrada mede a água que chega da rua. Com isso, o sistema mostra o consumo do dia e do mês em litros e em reais, pela tarifa da conta do prédio.
A portaria pode anotar a leitura do hidrômetro uma vez por dia pelo celular, e o sistema compara esse número com o que o sensor mediu. Se o relógio da rua passa a marcar mais que o sensor, dia após dia, é sinal de água indo embora entre a rua e a cisterna.

Os avisos que evitam problema
Um bom sistema não avisa tudo. Aviso que chega todo dia é aviso que a gente aprende a ignorar. Por isso a maior parte dos avisos compara o prédio com o normal dele mesmo, e não com um número igual para todos.
Os avisos de água vão para o síndico e o conselheiro, e a portaria recebe também os de nível, caixa cheia, consumo, entrada de água e hidrômetro. Num prédio novo, os que dependem de aprendizado ficam calados no começo: o de nível começa com cerca de um dia de leitura, e os de consumo levam semanas. Caixa cheia e o aviso de bomba ligada pelo aplicativo valem desde o primeiro dia.
Caixa ou cisterna baixando fora do normal
O sistema aprende a faixa de nível de cada prédio com os últimos 15 dias. Se a média fica pelo menos 8 pontos abaixo dessa faixa por cerca de 30 minutos, chega o aviso. Abaixo de 30%, caixa ou cisterna avisa mesmo perto da faixa, porque aí o nível já é problema por si só.
Bomba ligada pelo aplicativo tempo demais ou de madrugada
Quando a bomba é ligada pelo aplicativo, no modo manual, e fica ligada sem parar além do limite do prédio, 30 minutos no padrão, sai um aviso. É o esquecimento do modo manual, que segue puxando água da cisterna até a trava de segurança desligar.
A bomba ligada pelo aplicativo entre 22h e 7h gera um aviso informativo, só no celular. Com a boia no comando, esses dois avisos não saem: o que o sistema enxerga da boia travada é o nível, nos avisos de nível e de caixa cheia.
Caixa encostando no ladrão
Quando a caixa fica no topo por 15 minutos seguidos, sai o aviso de caixa cheia. Ele fica crítico se ainda está entrando água da rua na cisterna ou se a bomba está ligada pelo aplicativo. É o sinal clássico de boia travada, e a água que escapa pelo ladrão já passou pelo hidrômetro: vai para a conta.
Consumo de madrugada e água entrando sem parar
Entre 2h e 5h o prédio quase não gasta água. Se a caixa desce muito acima do normal nesse horário por duas madrugadas seguidas, o aviso sai às 5h30. Uma noite alta pode ser alguém acordado. Duas seguidas já pedem uma olhada.
Há também o aviso de água entrando sem parar por 24 horas e o de consumo de hoje acima do normal. Este último confere o prédio a cada 30 minutos. É o único que chega a tempo de alguém fechar um registro no mesmo dia.
Comando da bomba pelo celular: quem pode e com que trava
A bomba pode ser ligada e desligada pelo aplicativo, num acionamento manual: alguém autorizado precisa tocar no botão. Só o síndico e o conselheiro têm esse botão. A portaria e o morador, não.
O equipamento recusa o comando quando o nível está abaixo do mínimo configurado. Essa conferência acontece só no instante do comando. Depois que a bomba liga, a proteção continua sendo a da boia e do quadro elétrico do prédio.
No dia a dia, quem liga e desliga a bomba continua sendo a boia. O sistema não liga a bomba sozinho e não substitui boia, disjuntor nem relé de nível. Mais sobre isso no artigo de automação de bomba d'água no prédio.
Instalação em prédio já pronto
Antes do orçamento, a IoTrust faz uma visita técnica sem custo. É nela que se confere o quadro elétrico, o sinal de Wi-Fi perto das caixas e o tamanho do cano de entrada.
- Tempo: um dia de trabalho no caso comum, de uma caixa e uma cisterna. Prédio com vários reservatórios ou quadro confuso leva mais.
- Sem obra: não há obra civil nem parede quebrada.
- Sensor de nível: fica no teto do reservatório e mede a distância até a água sem encostar nela, como o sensor de ré do carro.
- Sensor de vazão: vai no próprio cano de entrada, escolhido pela bitola.
- Central: fica no quadro elétrico, ligada numa tomada comum.
- Internet: o equipamento usa o Wi-Fi do prédio. Se o sinal não chega às caixas, pode ser preciso um repetidor, e isso se decide na visita. Sem internet, nenhum aviso sai até a conexão voltar.
O que as normas e a lei pedem do prédio
A NBR 5626, da ABNT, trata dos sistemas de água fria e quente dos prédios e ganhou nova edição em 2020. Ela pede que o reservatório tenha um meio de avisar quando a boia falha e a água passa do nível máximo. O exemplo que a própria norma dá é o cano de aviso, que deve derramar num lugar onde a água seja vista logo.
O cano de aviso continua no lugar, e o monitoramento não o substitui. A diferença é que o cano avisa quem passa por perto, e a notificação chega a quem responde pelo prédio.
A NBR 16782, de 2019, trata da conservação de água em edificações. Pelo guia da CBIC sobre ela, a norma propõe um programa de conservação com um gestor da água, que acompanha o consumo e decide o que fazer quando ele sobe. O programa prevê divulgar aos usuários, pelo menos uma vez por mês, o consumo e o histórico dos últimos 12 meses.
E o Código Civil, no art. 1.348, diz que cabe ao síndico "diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns" e prestar contas à assembleia. Cisterna, caixa e bomba são partes comuns, e um histórico registrado ajuda a mostrar o que foi feito com elas.
Checklist para avaliar um fornecedor
Antes de assinar, faça estas perguntas:
- Ele mede quanto tem de água, ou só diz cheio e vazio?
- Os avisos seguem o normal do seu prédio, ou um número fixo igual para todos?
- Quem recebe cada aviso, e por qual canal?
- O que acontece com as leituras e os avisos quando a internet cai?
- O comando pelo celular tem trava de nível mínimo e limita quem pode usar?
- O equipamento fica do condomínio ou é alugado? Qual é a regra para cancelar?
- O histórico fica com o condomínio quando o síndico muda?
- Há visita antes do preço?
Como a IoTrust faz
A IoTrust é de Joinville/SC e atende Joinville, Curitiba e região. O sistema de água está em operação desde maio de 2025.
Tudo aparece no aplicativo, no celular ou no navegador, sem cobrança por usuário. No fechamento do ciclo, síndico e conselheiro recebem por e-mail um relatório em PDF com consumo, custo, reserva, tempo de bomba e o que o sistema detectou.
O equipamento é cobrado uma vez, com preço definido depois da visita, e fica do condomínio, sem aluguel. A mensalidade é publicada por faixa de tamanho do prédio em planos e preços, e o artigo sobre preço explica o que entra na conta. O cancelamento é sem multa, com 30 dias de aviso, e o histórico fica com o condomínio quando o síndico muda.
O que isso entrega não é promessa de conta menor. É atacar a causa do desperdício, e não só a conta do mês passado. É planejar a reserva pelo consumo real, e não por suposição. É ter dado para mostrar ao conselho e aos moradores. E é ter menos emergência de sábado de manhã.
Se quiser saber se serve para o seu prédio, peça a visita técnica. Ela não tem custo, e o orçamento vem por escrito depois dela.
Perguntas frequentes
Como saber o nível da caixa d'água do prédio sem subir até lá?
Com um sensor de nível no teto do reservatório, que mede a distância até a água sem encostar nela e manda a leitura pela internet para um aplicativo. Você vê o nível da caixa e da cisterna em porcentagem, no celular, a qualquer hora.
O monitoramento substitui a boia elétrica?
Não. A boia continua ligando e desligando a bomba no dia a dia. O monitoramento vigia o que acontece e avisa quando algo sai do normal, como a caixa encostada no topo, que costuma indicar boia travada.
Precisa de obra para instalar?
Não há obra civil nem parede quebrada. O sensor de nível fica no teto do reservatório, a central vai no quadro elétrico, numa tomada comum, e o sensor de vazão é instalado no cano de entrada. No caso comum, de uma caixa e uma cisterna, a instalação leva um dia.
O que acontece se a internet do prédio cair?
A bomba continua funcionando pela boia, como antes. No sistema da IoTrust, a central da cisterna guarda cerca de 50 minutos de leituras e envia quando a conexão volta. A caixa superior não guarda leituras.
Enquanto a internet está fora, nenhum aviso sai e o comando pelo aplicativo não funciona.
Quem recebe os avisos do sistema?
No sistema da IoTrust, o síndico e o conselheiro recebem os avisos de água, e a portaria recebe também os de nível, caixa cheia, consumo, entrada de água e hidrômetro, mas não os de bomba. A maioria chega por e-mail e no celular, mesmo para quem desmarcou esses canais. O morador não recebe alerta do prédio. Quando um aparelho fica 30 minutos sem comunicar, quem é avisada é a própria IoTrust.
Os dois avisos de bomba valem quando ela é ligada pelo aplicativo, no modo manual, e têm canal próprio: bomba ligada tempo demais chega no celular e, por e-mail, a quem escolheu e-mail ou não recebeu no celular; bomba em horário incomum chega só no celular.
O sistema avisa vazamento?
Ele aponta indício de vazamento: consumo de madrugada acima do normal por duas noites seguidas, água entrando sem parar por 24 horas ou consumo do dia muito acima do padrão do prédio. Ele não diz onde está o vazamento: achar o ponto exato continua sendo trabalho de encanador.



