Água

Automação de bomba d'água no prédio: boia, sensor e comando pelo celular

A boia já liga e desliga a bomba. Veja onde ela falha, o que a norma pede e o que o sensor de nível e o comando pelo celular mudam na rotina do síndico.

Por Matheus Duarte, fundador da IoTrustAtualizado em 7 de outubro de 202613 min de leitura

Quando se fala em automação de bomba d'água no prédio, ela quase sempre já existe: é a boia que liga e desliga o motor. O que costuma faltar é enxergar a bomba sem descer à casa de máquinas. Veja onde a boia falha, o que a norma pede e o que o sensor de nível e o celular acrescentam.

Todo síndico conhece a cena: sábado de manhã, o morador do 402 bate na sua porta, de pijama, porque não sai água do chuveiro. Alguém desce e encontra a bomba parada ou a cisterna vazia. Muitas vezes, o problema começou dias antes, sem fazer barulho.

Como funciona a automação de bomba d'água no prédio

Na maior parte dos prédios, a água da rua chega à cisterna, embaixo. A bomba empurra essa água até a caixa superior, e é dela que a água desce para os apartamentos.

Quem decide a hora de ligar são duas boias. A da caixa superior pede água quando o nível baixa. A da cisterna só deixa a bomba partir se houver água embaixo.

Alguns prédios usam um relé de nível com eletrodos, hastes de metal que percebem a água. E muitos têm duas bombas, com um relé que alterna entre elas a cada partida: é o revezamento.

Corte de um prédio com cisterna, bomba, caixa superior, sensores e o celular do síndicoCaixa superior 75%Cisterna 91%RuaBBombaCentralCaixa 75%Cisterna 91%Bomba paradaSem avisos
A cisterna recebe a água da rua; a bomba leva a água até a caixa superior, que abastece os apartamentos. Um sensor sem contato no teto de cada reservatório mede o nível o tempo todo, e a central no quadro elétrico manda tudo para o celular do síndico. No dia a dia, quem liga e desliga a bomba continua sendo a boia.

O que a norma pede da instalação

A NBR 5626, norma da ABNT para as instalações de água dos prédios, na edição de 2020, traz uma boa lista de conferência:

  • pelo menos duas bombas independentes, para o prédio não ficar sem água quando uma falha ou está em manutenção;
  • revezamento automático a cada partida, para nenhuma bomba ficar parada com água velha dentro;
  • liga e desliga automáticos pelo nível, com comando manual para teste e manutenção;
  • bomba impedida de partir com o reservatório de baixo no nível mínimo, para não rodar sem água e se danificar;
  • um meio de avisar quando a água passa do nível máximo, como o cano de aviso ligado ao ladrão;
  • verificação das bombas a cada seis meses, no máximo, por profissional qualificado.

Prédio mais antigo pode ter sido projetado por uma versão anterior da norma. A lista serve para saber o que perguntar ao técnico da sua bomba.

Onde a automação tradicional falha

A boia é simples, barata e funciona sem internet. O problema é que ela trabalha calada: quando falha, ninguém fica sabendo até a consequência aparecer.

Boia presa ou gasta

A boia pode enroscar no cano ou no cabo da outra boia, e o contato interno se desgasta com os anos.

Se a boia da caixa prende embaixo, a bomba não para e a água sai pelo ladrão. Se prende em cima, a bomba não liga e a caixa esvazia.

Cisterna vazia e bomba rodando a seco

Se a boia da cisterna falha, a bomba pode seguir ligada sem água para puxar. Ela esquenta e o motor pode queimar. O que fazer quando isso acontece está no guia sobre a bomba d'água do prédio que parou.

Ninguém sabe se a bomba está ligada

Uma bomba que passou a ligar o dobro de vezes, ou que demora cada vez mais para encher a caixa, não faz barulho nenhum na sala do síndico.

Boia elétrica ou sensor de nível: o que cada um sabe

A boia responde a uma pergunta só: a água chegou ou não naquele ponto. O sensor de nível contínuo responde quanto tem, a cada momento.

TipoComo medeO que informaPonto de atenção
Boia elétricaFlutua e vira uma chaveCheio ou vazio, em dois pontosPode enroscar e não diz quanto tem
EletrodosHastes percebem se a água chegouSe a água passou de cada hasteFicam mergulhados na água
Sensor sem contatoFica no teto e mede a distância até a águaQuanto tem, em porcentagem, e a tendênciaPrecisa ser bem posicionado
Sensor de pressãoFica no fundo e mede o peso da águaQuanto tem, de forma contínuaFica mergulhado, com cabo até o fundo

O sensor sem contato usa o princípio do sensor de ré do carro. Fica preso no teto do reservatório e mede a distância até a água sem encostar nela.

Comparação entre boia e sensor de nível sem contatoBoiaSabe: cheio ou vazioLiga e desliga a bombaNão avisa ninguémSensor sem contatoSabe: quanto temSe sobe ou desceAvisa no celular
A boia é um interruptor: ela sabe se a água chegou a um ponto e manda a bomba ligar ou desligar, e não conta nada a ninguém. O sensor de nível sem contato mede quanto há no reservatório o tempo todo, mostra se está subindo ou descendo e avisa no celular quando algo foge do normal. Um não substitui o outro: a boia continua comandando a bomba.

O acompanhamento da caixa e da cisterna como um todo está no guia do sistema de controle de caixa d'água no prédio.

Ligar a bomba d'água pelo celular: o que precisa ter

Dá para ligar e desligar a bomba pelo aplicativo. É um comando manual, útil para teste e manutenção, como o botão do quadro. No dia a dia, quem liga e desliga continua sendo a boia.

Mesmo assim, um botão de bomba no celular pede três cuidados, e vale cobrar os três de qualquer fornecedor.

Quem pode tocar no botão

O comando deve seguir o papel de cada pessoa, e não uma senha compartilhada. Na IoTrust, síndico e conselheiro comandam a bomba. Portaria e morador veem o nível, mas não comandam.

Uma trava para não ligar com a cisterna baixa

A IoTrust recusa o comando de ligar quando a cisterna está abaixo do mínimo configurado para o prédio. É a ideia da norma aplicada ao toque no celular.

Confirmar pelo estado da bomba, não pelo toque

A resposta do botão prova que o pedido chegou, não que o motor girou. O que confirma é a tela mostrar, na leitura seguinte, a bomba ligada e a caixa subindo.

No painel da IoTrust, o prédio aparece desenhado com a caixa e a cisterna em porcentagem. A tela mostra se a bomba está ligada agora, quanto tempo ficou ligada hoje e quantas vezes ligou.

Tela do aplicativo IoTrust com o prédio desenhado, a caixa superior e a cisterna em porcentagem
Tela real do aplicativo: o prédio desenhado, com a caixa superior e a cisterna em porcentagem, atualizado o tempo todo.

Os avisos que cuidam da bomba

Olhar o aplicativo o dia inteiro não é trabalho de síndico. O que resolve é o sistema chamar quando algo sai do normal. Estes são os avisos da IoTrust ligados à bomba:

  • Bomba ligada tempo demais: vale quando a bomba é ligada pelo aplicativo, no modo manual, e fica ligada sem parar além do limite do prédio, 30 minutos por padrão. É o esquecimento do modo manual. Com a boia no comando, quem mostra o problema é o nível, nos avisos abaixo.
  • Caixa cheia: caixa em 99,5% ou mais por 15 minutos seguidos. Se ainda entra água da rua na cisterna ou a bomba está ligada pelo aplicativo, o aviso vira crítico: pode ser a boia de cima que não fechou.
  • Bomba em horário incomum: bomba ligada pelo aplicativo, no modo manual, entre 22h e 7h, com aviso só no celular. Quem vigia o vazamento no condomínio de madrugada é outro aviso, o de consumo noturno.
  • Nível fora do padrão do prédio: avisa quando a caixa ou a cisterna sai da faixa normal do prédio por meia hora; abaixo de 30%, avisa mesmo com um desvio menor. Caixa baixa pode ser bomba que não está repondo a água. Cisterna baixa é a bomba perto de ficar sem água para puxar.
  • Leitura da cisterna travada: bomba ligada pelo aplicativo por 5 minutos ou mais e a leitura da cisterna parada no mesmo número por cerca de 45 minutos. A medição travou, e ninguém deve confiar num número parado.

Os avisos vão para o síndico e o conselheiro. A portaria recebe também os de nível, caixa cheia e leitura travada, que chegam por e-mail e no celular mesmo para quem desmarcou esses canais, mas não os de bomba. O morador nunca recebe alerta do prédio.

Os dois avisos de bomba, que valem no modo manual, têm canal próprio: o de bomba ligada tempo demais chega no celular e, por e-mail, a quem escolheu e-mail ou não recebeu no celular; o de horário incomum sai só no celular.

Caixa cheia e o aviso de bomba ligada pelo aplicativo valem desde o primeiro dia. Os avisos que comparam com o normal do prédio esperam o aprendizado: a faixa de nível começa com cerca de um dia de leitura e fica completa em 15 dias.

Tela de celular com quatro avisos do sistema de águaAvisos do prédioCaixa cheiaCríticoNível fora do padrão do prédioCríticoConsumo noturno anormalCríticoÁgua entrando sem pararAtenção
Alguns dos avisos reais do sistema de água da IoTrust. Estes quatro chegam por notificação no celular e por e-mail para o síndico, o conselho e a portaria. O morador não recebe alerta do prédio.

Automação também é manutenção

A NBR 5674, norma de manutenção de edificações atualizada em 2024, pede que todo prédio, inclusive os antigos, tenha um programa de manutenção, com registro do que foi feito. Como resume o SíndicoNet, quando a bomba estraga, o registro precisa trazer a data e tudo o que foi feito.

E o Código Civil, no art. 1.348, V, diz que compete ao síndico "diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns". A bomba é uma delas.

O tempo de bomba medido todo dia não substitui esse registro, mas dá a ele o que costuma faltar: dado. Com ele, o síndico:

  • ataca a causa: a bomba que passou a demorar mais para encher a caixa aparece no gráfico, e a conversa com a manutenção passa a ter número;
  • planeja: sabe quanto a bomba trabalha de verdade e antecipa a revisão quando o uso sobe, em vez de esperar quebrar;
  • presta contas: tem o que mostrar ao conselho quando alguém pergunta por que trocar a bomba;
  • corre menos: o problema chega como aviso, e não como morador batendo na porta.

Como a IoTrust instala e quanto custa

A IoTrust é de Joinville/SC e atende Joinville, Curitiba e região, com prédios monitorados desde maio de 2025. O funcionamento completo está na página do sistema de água da IoTrust.

  • Visita antes do orçamento: é gratuita. Nela aparecem o número de reservatórios, o estado do quadro elétrico e o sinal de Wi-Fi perto das caixas.
  • Sem obra: sem obra civil e sem quebrar parede. O sensor fica no teto do reservatório e a central, no quadro elétrico, numa tomada comum. O pacote inclui também um sensor de vazão, instalado no próprio cano de entrada.
  • Internet: o equipamento usa o Wi-Fi do prédio. Se o sinal não chega às caixas, pode ser preciso um repetidor, e isso se decide na visita.
  • Tempo: um dia de trabalho no caso comum, de uma caixa e uma cisterna. Prédio com vários reservatórios leva mais.
  • A boia continua no comando: no automático, quem liga e desliga a bomba segue sendo a boia. O sistema passa a medir e a avisar.
  • Preço: a mensalidade é publicada por faixa de tamanho do prédio, na página de planos. O equipamento é cobrado uma vez, depois da visita, e fica do condomínio. Cancelamento sem multa, com 30 dias de aviso.

Para saber se serve para o seu prédio, peça a visita técnica: ela não tem custo, e o orçamento vem por escrito depois dela.

Perguntas frequentes

Dá para ligar a bomba d'água do prédio pelo celular?

Sim. Com um sistema de monitoramento ligado ao quadro da bomba, uma pessoa autorizada liga e desliga pelo aplicativo. Esse comando é manual.

No automático, quem continua ligando e desligando a bomba é a boia. Um bom sistema recusa o comando com a cisterna abaixo do mínimo e mostra depois se a bomba ligou de fato.

A automação substitui a boia elétrica?

Não. A boia, ou o relé com eletrodos, continua ligando e desligando a bomba no automático, mesmo sem internet.

O sensor de nível acrescenta o que a boia não sabe: quanto tem, se o nível sobe ou desce, e o aviso quando algo sai do normal.

O que acontece se a bomba ficar ligada sem água?

Ela esquenta e o motor pode queimar. Por isso a NBR 5626 pede que a bomba não parta com o reservatório de baixo no nível mínimo. Esse corte é feito pela boia da cisterna ou pelo relé de nível com eletrodos.

O monitoramento não corta a bomba, ele avisa. Quando a cisterna sai da faixa normal do prédio para baixo, chega o aviso de nível fora do padrão, e o síndico pode mandar alguém conferir antes de a bomba puxar em seco. Se a bomba foi ligada pelo aplicativo, no modo manual, também sai o aviso de bomba ligada tempo demais, que por padrão é de 30 minutos.

Qual o melhor sensor de nível para a caixa d'água do prédio?

Depende do que você quer saber. Para comandar a bomba, boia e eletrodo são simples e funcionam sem internet.

Para saber quanto tem, o indicado é um sensor contínuo. O de pressão fica mergulhado no fundo, e o sem contato fica no teto, sem encostar na água. A IoTrust usa o sem contato.

Quem pode comandar a bomba no aplicativo?

Na IoTrust, síndico e conselheiro. A portaria vê o painel em leitura e anota o hidrômetro uma vez por dia. O morador vê o nível da água e não comanda a bomba.

O acesso é por pessoa, e o histórico fica com o condomínio quando o síndico muda.

O que acontece com a bomba se a internet do prédio cair?

A bomba segue funcionando pela boia. O que para é o que depende da internet: nenhum comando pelo aplicativo funciona e nenhum aviso sai enquanto a conexão estiver fora.

Na IoTrust, o controlador da cisterna guarda cerca de 50 minutos de leituras e reenvia quando a conexão volta. O sensor da caixa superior não guarda, e a queda deixa um buraco no histórico da caixa.

Fontes

Conte como é o seu prédio

Você cuida do prédio. Agora o prédio avisa você.

A visita técnica não tem custo: ela mostra quantos reservatórios existem, como a bomba é acionada hoje e se o Wi-Fi chega até as caixas. O orçamento sai do que existe no seu prédio, e não de uma tabela genérica.

Leia também