Quando se fala em automação de bomba d'água no prédio, ela quase sempre já existe: é a boia que liga e desliga o motor. O que costuma faltar é enxergar a bomba sem descer à casa de máquinas. Veja onde a boia falha, o que a norma pede e o que o sensor de nível e o celular acrescentam.
Todo síndico conhece a cena: sábado de manhã, o morador do 402 bate na sua porta, de pijama, porque não sai água do chuveiro. Alguém desce e encontra a bomba parada ou a cisterna vazia. Muitas vezes, o problema começou dias antes, sem fazer barulho.
Como funciona a automação de bomba d'água no prédio
Na maior parte dos prédios, a água da rua chega à cisterna, embaixo. A bomba empurra essa água até a caixa superior, e é dela que a água desce para os apartamentos.
Quem decide a hora de ligar são duas boias. A da caixa superior pede água quando o nível baixa. A da cisterna só deixa a bomba partir se houver água embaixo.
Alguns prédios usam um relé de nível com eletrodos, hastes de metal que percebem a água. E muitos têm duas bombas, com um relé que alterna entre elas a cada partida: é o revezamento.
O que a norma pede da instalação
A NBR 5626, norma da ABNT para as instalações de água dos prédios, na edição de 2020, traz uma boa lista de conferência:
- pelo menos duas bombas independentes, para o prédio não ficar sem água quando uma falha ou está em manutenção;
- revezamento automático a cada partida, para nenhuma bomba ficar parada com água velha dentro;
- liga e desliga automáticos pelo nível, com comando manual para teste e manutenção;
- bomba impedida de partir com o reservatório de baixo no nível mínimo, para não rodar sem água e se danificar;
- um meio de avisar quando a água passa do nível máximo, como o cano de aviso ligado ao ladrão;
- verificação das bombas a cada seis meses, no máximo, por profissional qualificado.
Prédio mais antigo pode ter sido projetado por uma versão anterior da norma. A lista serve para saber o que perguntar ao técnico da sua bomba.
Onde a automação tradicional falha
A boia é simples, barata e funciona sem internet. O problema é que ela trabalha calada: quando falha, ninguém fica sabendo até a consequência aparecer.
Boia presa ou gasta
A boia pode enroscar no cano ou no cabo da outra boia, e o contato interno se desgasta com os anos.
Se a boia da caixa prende embaixo, a bomba não para e a água sai pelo ladrão. Se prende em cima, a bomba não liga e a caixa esvazia.
Cisterna vazia e bomba rodando a seco
Se a boia da cisterna falha, a bomba pode seguir ligada sem água para puxar. Ela esquenta e o motor pode queimar. O que fazer quando isso acontece está no guia sobre a bomba d'água do prédio que parou.
Ninguém sabe se a bomba está ligada
Uma bomba que passou a ligar o dobro de vezes, ou que demora cada vez mais para encher a caixa, não faz barulho nenhum na sala do síndico.
Boia elétrica ou sensor de nível: o que cada um sabe
A boia responde a uma pergunta só: a água chegou ou não naquele ponto. O sensor de nível contínuo responde quanto tem, a cada momento.
| Tipo | Como mede | O que informa | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Boia elétrica | Flutua e vira uma chave | Cheio ou vazio, em dois pontos | Pode enroscar e não diz quanto tem |
| Eletrodos | Hastes percebem se a água chegou | Se a água passou de cada haste | Ficam mergulhados na água |
| Sensor sem contato | Fica no teto e mede a distância até a água | Quanto tem, em porcentagem, e a tendência | Precisa ser bem posicionado |
| Sensor de pressão | Fica no fundo e mede o peso da água | Quanto tem, de forma contínua | Fica mergulhado, com cabo até o fundo |
O sensor sem contato usa o princípio do sensor de ré do carro. Fica preso no teto do reservatório e mede a distância até a água sem encostar nela.
O acompanhamento da caixa e da cisterna como um todo está no guia do sistema de controle de caixa d'água no prédio.
Ligar a bomba d'água pelo celular: o que precisa ter
Dá para ligar e desligar a bomba pelo aplicativo. É um comando manual, útil para teste e manutenção, como o botão do quadro. No dia a dia, quem liga e desliga continua sendo a boia.
Mesmo assim, um botão de bomba no celular pede três cuidados, e vale cobrar os três de qualquer fornecedor.
Quem pode tocar no botão
O comando deve seguir o papel de cada pessoa, e não uma senha compartilhada. Na IoTrust, síndico e conselheiro comandam a bomba. Portaria e morador veem o nível, mas não comandam.
Uma trava para não ligar com a cisterna baixa
A IoTrust recusa o comando de ligar quando a cisterna está abaixo do mínimo configurado para o prédio. É a ideia da norma aplicada ao toque no celular.
Confirmar pelo estado da bomba, não pelo toque
A resposta do botão prova que o pedido chegou, não que o motor girou. O que confirma é a tela mostrar, na leitura seguinte, a bomba ligada e a caixa subindo.
No painel da IoTrust, o prédio aparece desenhado com a caixa e a cisterna em porcentagem. A tela mostra se a bomba está ligada agora, quanto tempo ficou ligada hoje e quantas vezes ligou.

Os avisos que cuidam da bomba
Olhar o aplicativo o dia inteiro não é trabalho de síndico. O que resolve é o sistema chamar quando algo sai do normal. Estes são os avisos da IoTrust ligados à bomba:
- Bomba ligada tempo demais: vale quando a bomba é ligada pelo aplicativo, no modo manual, e fica ligada sem parar além do limite do prédio, 30 minutos por padrão. É o esquecimento do modo manual. Com a boia no comando, quem mostra o problema é o nível, nos avisos abaixo.
- Caixa cheia: caixa em 99,5% ou mais por 15 minutos seguidos. Se ainda entra água da rua na cisterna ou a bomba está ligada pelo aplicativo, o aviso vira crítico: pode ser a boia de cima que não fechou.
- Bomba em horário incomum: bomba ligada pelo aplicativo, no modo manual, entre 22h e 7h, com aviso só no celular. Quem vigia o vazamento no condomínio de madrugada é outro aviso, o de consumo noturno.
- Nível fora do padrão do prédio: avisa quando a caixa ou a cisterna sai da faixa normal do prédio por meia hora; abaixo de 30%, avisa mesmo com um desvio menor. Caixa baixa pode ser bomba que não está repondo a água. Cisterna baixa é a bomba perto de ficar sem água para puxar.
- Leitura da cisterna travada: bomba ligada pelo aplicativo por 5 minutos ou mais e a leitura da cisterna parada no mesmo número por cerca de 45 minutos. A medição travou, e ninguém deve confiar num número parado.
Os avisos vão para o síndico e o conselheiro. A portaria recebe também os de nível, caixa cheia e leitura travada, que chegam por e-mail e no celular mesmo para quem desmarcou esses canais, mas não os de bomba. O morador nunca recebe alerta do prédio.
Os dois avisos de bomba, que valem no modo manual, têm canal próprio: o de bomba ligada tempo demais chega no celular e, por e-mail, a quem escolheu e-mail ou não recebeu no celular; o de horário incomum sai só no celular.
Caixa cheia e o aviso de bomba ligada pelo aplicativo valem desde o primeiro dia. Os avisos que comparam com o normal do prédio esperam o aprendizado: a faixa de nível começa com cerca de um dia de leitura e fica completa em 15 dias.
Automação também é manutenção
A NBR 5674, norma de manutenção de edificações atualizada em 2024, pede que todo prédio, inclusive os antigos, tenha um programa de manutenção, com registro do que foi feito. Como resume o SíndicoNet, quando a bomba estraga, o registro precisa trazer a data e tudo o que foi feito.
E o Código Civil, no art. 1.348, V, diz que compete ao síndico "diligenciar a conservação e a guarda das partes comuns". A bomba é uma delas.
O tempo de bomba medido todo dia não substitui esse registro, mas dá a ele o que costuma faltar: dado. Com ele, o síndico:
- ataca a causa: a bomba que passou a demorar mais para encher a caixa aparece no gráfico, e a conversa com a manutenção passa a ter número;
- planeja: sabe quanto a bomba trabalha de verdade e antecipa a revisão quando o uso sobe, em vez de esperar quebrar;
- presta contas: tem o que mostrar ao conselho quando alguém pergunta por que trocar a bomba;
- corre menos: o problema chega como aviso, e não como morador batendo na porta.
Como a IoTrust instala e quanto custa
A IoTrust é de Joinville/SC e atende Joinville, Curitiba e região, com prédios monitorados desde maio de 2025. O funcionamento completo está na página do sistema de água da IoTrust.
- Visita antes do orçamento: é gratuita. Nela aparecem o número de reservatórios, o estado do quadro elétrico e o sinal de Wi-Fi perto das caixas.
- Sem obra: sem obra civil e sem quebrar parede. O sensor fica no teto do reservatório e a central, no quadro elétrico, numa tomada comum. O pacote inclui também um sensor de vazão, instalado no próprio cano de entrada.
- Internet: o equipamento usa o Wi-Fi do prédio. Se o sinal não chega às caixas, pode ser preciso um repetidor, e isso se decide na visita.
- Tempo: um dia de trabalho no caso comum, de uma caixa e uma cisterna. Prédio com vários reservatórios leva mais.
- A boia continua no comando: no automático, quem liga e desliga a bomba segue sendo a boia. O sistema passa a medir e a avisar.
- Preço: a mensalidade é publicada por faixa de tamanho do prédio, na página de planos. O equipamento é cobrado uma vez, depois da visita, e fica do condomínio. Cancelamento sem multa, com 30 dias de aviso.
Para saber se serve para o seu prédio, peça a visita técnica: ela não tem custo, e o orçamento vem por escrito depois dela.
Perguntas frequentes
Dá para ligar a bomba d'água do prédio pelo celular?
Sim. Com um sistema de monitoramento ligado ao quadro da bomba, uma pessoa autorizada liga e desliga pelo aplicativo. Esse comando é manual.
No automático, quem continua ligando e desligando a bomba é a boia. Um bom sistema recusa o comando com a cisterna abaixo do mínimo e mostra depois se a bomba ligou de fato.
A automação substitui a boia elétrica?
Não. A boia, ou o relé com eletrodos, continua ligando e desligando a bomba no automático, mesmo sem internet.
O sensor de nível acrescenta o que a boia não sabe: quanto tem, se o nível sobe ou desce, e o aviso quando algo sai do normal.
O que acontece se a bomba ficar ligada sem água?
Ela esquenta e o motor pode queimar. Por isso a NBR 5626 pede que a bomba não parta com o reservatório de baixo no nível mínimo. Esse corte é feito pela boia da cisterna ou pelo relé de nível com eletrodos.
O monitoramento não corta a bomba, ele avisa. Quando a cisterna sai da faixa normal do prédio para baixo, chega o aviso de nível fora do padrão, e o síndico pode mandar alguém conferir antes de a bomba puxar em seco. Se a bomba foi ligada pelo aplicativo, no modo manual, também sai o aviso de bomba ligada tempo demais, que por padrão é de 30 minutos.
Qual o melhor sensor de nível para a caixa d'água do prédio?
Depende do que você quer saber. Para comandar a bomba, boia e eletrodo são simples e funcionam sem internet.
Para saber quanto tem, o indicado é um sensor contínuo. O de pressão fica mergulhado no fundo, e o sem contato fica no teto, sem encostar na água. A IoTrust usa o sem contato.
Quem pode comandar a bomba no aplicativo?
Na IoTrust, síndico e conselheiro. A portaria vê o painel em leitura e anota o hidrômetro uma vez por dia. O morador vê o nível da água e não comanda a bomba.
O acesso é por pessoa, e o histórico fica com o condomínio quando o síndico muda.
O que acontece com a bomba se a internet do prédio cair?
A bomba segue funcionando pela boia. O que para é o que depende da internet: nenhum comando pelo aplicativo funciona e nenhum aviso sai enquanto a conexão estiver fora.
Na IoTrust, o controlador da cisterna guarda cerca de 50 minutos de leituras e reenvia quando a conexão volta. O sensor da caixa superior não guarda, e a queda deixa um buraco no histórico da caixa.



